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Dra. Ana CarlaOtorrinolaringologista

Zumbido no ouvido

O zumbido não é frescura, e quase nunca é sem motivo

Zumbido é a percepção de um som (apito, chiado, cigarra, cachoeira, pulsação) que não vem de fora. Ele não é uma doença em si: é o sintoma de uma doença que nem sempre está no ouvido. Muitas vezes a origem é outra, em outro órgão ou em uma alteração do corpo inteiro, e o ouvido é apenas onde ela repercute. Encontrar essa origem é o primeiro passo para reduzir o incômodo.

Sinais

Você reconhece alguma destas situações?

Marcar mentalmente dois ou três itens desta lista já é motivo suficiente para uma avaliação.

  • Um apito ou chiado que aparece principalmente no silêncio, à noite
  • Dificuldade para pegar no sono por causa do som no ouvido
  • Perda de concentração no trabalho, na leitura ou na conversa
  • Irritabilidade e cansaço por conviver com o barulho o dia inteiro
  • Sensação de que o ouvido está tampado, junto com o zumbido
  • Incômodo com sons do dia a dia que antes eram normais

O que costuma estar por trás

Causas mais comuns

Perda auditiva

É a causa mais frequente. Quando o ouvido deixa de captar certas frequências, o cérebro tende a preencher esse silêncio com um som próprio. Muita gente descobre uma perda leve justamente ao investigar o zumbido.

Exposição a ruído

Anos de trabalho em ambiente barulhento, som alto no fone de ouvido ou um único evento intenso, como um tiro ou show, podem lesar as células do ouvido interno.

Cera e alterações da orelha média

Rolha de cera, otites, líquido atrás do tímpano e perfurações podem gerar zumbido. São causas simples de identificar e, muitas vezes, de resolver.

Alterações metabólicas e circulatórias

Diabetes, alterações da tireoide, colesterol, anemia e pressão alta interferem no funcionamento do ouvido interno. Por isso, a investigação costuma incluir exames de sangue.

Disfunção da articulação da mandíbula

A ATM fica ao lado do ouvido. Bruxismo e dor ao mastigar frequentemente aparecem junto com zumbido, e o tratamento conjunto com o dentista faz diferença.

Medicamentos e outras causas

Alguns remédios podem afetar a audição. Doença de Ménière, alterações do nervo auditivo e causas vasculares são menos comuns, mas precisam ser descartadas em situações específicas.

Atenção

Quando procurar atendimento sem esperar

Alguns tipos de zumbido pedem avaliação rápida, porque a janela de tratamento é curta ou porque a causa exige investigação dirigida.

  • Zumbido que apareceu de repente, do nada
  • Zumbido em apenas um dos ouvidos
  • Zumbido que pulsa no ritmo do coração
  • Zumbido junto com queda de audição súbita, o que é urgência
  • Zumbido acompanhado de tontura intensa ou desequilíbrio
  • Zumbido que passou a atrapalhar o sono ou o humor

Na consulta

Como é feita a investigação

Nem todo paciente precisa de todos os exames. A escolha depende da sua história e do exame clínico.

  1. A conversa vem primeiro

    Como é o som, quando começou, o que piora, o que melhora, quais remédios você usa, como está o sono. Boa parte do diagnóstico está nessa história, e ela não cabe em dez minutos.

  2. Exame do ouvido

    Otoscopia para ver o canal e o tímpano, avaliando cera, inflamação e alterações da membrana.

  3. Audiometria e imitanciometria

    Medem quanto e como você ouve, e como o tímpano e a orelha média estão funcionando. São a base de qualquer investigação de zumbido.

  4. Acufenometria

    Teste que estima a frequência e a intensidade do seu zumbido. Ajuda a escolher a terapia sonora e a acompanhar a evolução ao longo do tratamento.

  5. Exames complementares quando necessário

    Exames de sangue para investigar causas metabólicas e, em situações selecionadas, exames de imagem.

Caminhos de tratamento

O que costuma funcionar

Tratar a causa encontrada

Remover cera, tratar uma otite, ajustar o controle do diabete ou da tireoide, rever uma medicação. Quando existe uma causa tratável, é por aí que se começa.

Terapia sonora

Usar som para diminuir o contraste entre o zumbido e o silêncio. Pode ser feita com geradores de som, aplicativos ou com o próprio aparelho auditivo, conforme o caso.

Aparelho auditivo quando há perda

Em quem tem perda auditiva associada, amplificar o som ambiente costuma reduzir a percepção do zumbido, além de devolver a conversa.

Abordagem do sono e do estresse

Zumbido, insônia e ansiedade se alimentam mutuamente. Trabalhar higiene do sono e, quando indicado, terapia cognitivo-comportamental muda o quanto o som incomoda.

Acompanhamento ao longo do tempo

Zumbido responde a ajustes. O acompanhamento serve para medir o que melhorou, corrigir a rota e evitar tratamentos desnecessários.

As informações deste site têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Cada caso precisa de avaliação individual. Nenhum tratamento aqui descrito garante resultado.

Para esclarecer

O que se ouve por aí, e o que é verdade

Zumbido não tem tratamento, é preciso conviver.

Nem todo zumbido desaparece, mas praticamente todo zumbido pode incomodar menos. O objetivo do tratamento é devolver sono, concentração e convívio.

É da idade, não há o que fazer.

A idade explica parte das perdas auditivas, e perda auditiva tem tratamento. Atribuir tudo à idade é o que costuma atrasar o cuidado.

Todo zumbido é problema de circulação.

Causas circulatórias existem, mas são minoria. Tratar como circulação sem investigar leva a remédio sem resultado.

Quem tem zumbido vai ficar surdo.

O zumbido não causa surdez. Ele pode ser o primeiro aviso de uma perda auditiva já existente, e é por isso que vale investigar.

Vamos entender o que está acontecendo com você

Agende uma avaliação e traga sua história completa. É dela que sai o diagnóstico.

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