Perda auditiva
Ouvir menos não é só ouvir menos
A perda auditiva costuma chegar devagar, e quem convive com ela raramente é o primeiro a perceber. Antes de a audição virar queixa, ela já mudou o jantar em família, a conversa no telefone e a vontade de ir a lugares cheios. Investigar cedo muda esse percurso.
Sinais
Você reconhece alguma destas situações?
Marcar mentalmente dois ou três itens desta lista já é motivo suficiente para uma avaliação.
- Aumentar o volume da televisão mais do que o resto da casa gostaria
- Pedir para repetir com frequência, principalmente para vozes femininas e infantis
- Ouvir, mas não entender: parece que as pessoas falam enroladas
- Perder o fio da conversa em restaurante, festa ou reunião
- Dificuldade no telefone, sempre com o mesmo ouvido
- Evitar encontros por cansaço de acompanhar a conversa
O que costuma estar por trás
Causas mais comuns
Presbiacusia
A perda associada ao envelhecimento do ouvido interno. Começa pelos sons agudos, o que explica a sensação de ouvir a voz mas não distinguir as palavras.
Ruído
Exposição ocupacional, música alta e fones de ouvido em volume elevado lesam as células ciliadas de forma cumulativa e definitiva. É a causa mais evitável de todas.
Cera, otites e alterações do tímpano
Perdas chamadas condutivas, ligadas à orelha externa e média. Costumam ter tratamento direto, clínico ou cirúrgico, com boa recuperação.
Otosclerose
Alteração de um dos ossinhos da orelha média que enrijece e deixa de transmitir o som. Aparece com frequência entre os 20 e os 40 anos e tem tratamento específico.
Medicamentos e doenças sistêmicas
Alguns antibióticos, quimioterápicos e anti-inflamatórios podem afetar a audição, assim como diabetes e alterações da tireoide.
Perda auditiva súbita
Queda importante da audição em até três dias, geralmente em um ouvido. É urgência médica: quanto antes o tratamento começa, maior a chance de recuperação.
Atenção
Situações que não devem esperar
Perda auditiva costuma ser lenta, mas algumas apresentações exigem atendimento rápido.
- Perda de audição que apareceu de uma hora para outra
- Perda importante em apenas um dos ouvidos
- Audição que caiu junto com tontura forte
- Dor intensa, febre ou saída de secreção pelo ouvido
- Perda auditiva após trauma na cabeça ou no ouvido
- Perda auditiva com zumbido novo e persistente de um lado só
Na consulta
Como é feita a investigação
Nem todo paciente precisa de todos os exames. A escolha depende da sua história e do exame clínico.
História e exame do ouvido
Tempo de evolução, exposição a ruído, medicamentos, doenças associadas e otoscopia para avaliar canal e tímpano.
Audiometria tonal e vocal
Mede o limiar de cada frequência e, tão importante quanto, a capacidade de entender palavras. Duas pessoas com o mesmo grau de perda podem entender de forma muito diferente.
Imitanciometria
Avalia a mobilidade do tímpano e a pressão na orelha média. É o exame que separa perdas condutivas de neurossensoriais.
Emissões otoacústicas e BERA
Exames que investigam a cóclea e o nervo auditivo, solicitados conforme o caso e a suspeita clínica.
Exames complementares
Exames de sangue e de imagem quando a história aponta para causa específica.
Caminhos de tratamento
O que costuma funcionar
Tratamento clínico da causa
Remoção de cera, tratamento de otite e de disfunção tubária resolvem boa parte das perdas condutivas.
Encaminhamento cirúrgico quando indicado
Perfurações de tímpano e otosclerose podem ter correção cirúrgica, discutida caso a caso.
Aparelho de amplificação sonora
Para perdas neurossensoriais, o aparelho é o tratamento com melhor evidência. O resultado depende da indicação correta, da adaptação e do acompanhamento, e não apenas do equipamento.
Reabilitação e orientação familiar
Ouvir de novo exige readaptação. Orientar quem convive com o paciente é parte do tratamento e melhora muito o resultado.
Proteção do que ainda existe
Proteção auditiva, controle metabólico e revisão de medicações preservam a audição restante.
As informações deste site têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Cada caso precisa de avaliação individual. Nenhum tratamento aqui descrito garante resultado.
Para esclarecer
O que se ouve por aí, e o que é verdade
Aparelho auditivo vicia.
Não vicia. O que acontece é que, depois de voltar a ouvir bem, o silêncio anterior passa a incomodar, sinal de que o aparelho está funcionando.
Basta falar mais alto comigo.
Falar alto costuma distorcer. Falar de frente, com boa iluminação e em ritmo normal ajuda muito mais.
Só idoso tem perda auditiva.
Ruído ocupacional, fones de ouvido e otosclerose atingem adultos jovens com frequência.
Perda auditiva é só um incômodo.
Ouvir mal está associado a isolamento social e a piora da qualidade de vida. Tratar a audição é cuidar de bem mais do que o ouvido.
Vamos entender o que está acontecendo com você
Agende uma avaliação e traga sua história completa. É dela que sai o diagnóstico.
