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Dra. Ana CarlaOtorrinolaringologista

Perda auditiva

Ouvir menos não é só ouvir menos

A perda auditiva costuma chegar devagar, e quem convive com ela raramente é o primeiro a perceber. Antes de a audição virar queixa, ela já mudou o jantar em família, a conversa no telefone e a vontade de ir a lugares cheios. Investigar cedo muda esse percurso.

Sinais

Você reconhece alguma destas situações?

Marcar mentalmente dois ou três itens desta lista já é motivo suficiente para uma avaliação.

  • Aumentar o volume da televisão mais do que o resto da casa gostaria
  • Pedir para repetir com frequência, principalmente para vozes femininas e infantis
  • Ouvir, mas não entender: parece que as pessoas falam enroladas
  • Perder o fio da conversa em restaurante, festa ou reunião
  • Dificuldade no telefone, sempre com o mesmo ouvido
  • Evitar encontros por cansaço de acompanhar a conversa

O que costuma estar por trás

Causas mais comuns

Presbiacusia

A perda associada ao envelhecimento do ouvido interno. Começa pelos sons agudos, o que explica a sensação de ouvir a voz mas não distinguir as palavras.

Ruído

Exposição ocupacional, música alta e fones de ouvido em volume elevado lesam as células ciliadas de forma cumulativa e definitiva. É a causa mais evitável de todas.

Cera, otites e alterações do tímpano

Perdas chamadas condutivas, ligadas à orelha externa e média. Costumam ter tratamento direto, clínico ou cirúrgico, com boa recuperação.

Otosclerose

Alteração de um dos ossinhos da orelha média que enrijece e deixa de transmitir o som. Aparece com frequência entre os 20 e os 40 anos e tem tratamento específico.

Medicamentos e doenças sistêmicas

Alguns antibióticos, quimioterápicos e anti-inflamatórios podem afetar a audição, assim como diabetes e alterações da tireoide.

Perda auditiva súbita

Queda importante da audição em até três dias, geralmente em um ouvido. É urgência médica: quanto antes o tratamento começa, maior a chance de recuperação.

Atenção

Situações que não devem esperar

Perda auditiva costuma ser lenta, mas algumas apresentações exigem atendimento rápido.

  • Perda de audição que apareceu de uma hora para outra
  • Perda importante em apenas um dos ouvidos
  • Audição que caiu junto com tontura forte
  • Dor intensa, febre ou saída de secreção pelo ouvido
  • Perda auditiva após trauma na cabeça ou no ouvido
  • Perda auditiva com zumbido novo e persistente de um lado só

Na consulta

Como é feita a investigação

Nem todo paciente precisa de todos os exames. A escolha depende da sua história e do exame clínico.

  1. História e exame do ouvido

    Tempo de evolução, exposição a ruído, medicamentos, doenças associadas e otoscopia para avaliar canal e tímpano.

  2. Audiometria tonal e vocal

    Mede o limiar de cada frequência e, tão importante quanto, a capacidade de entender palavras. Duas pessoas com o mesmo grau de perda podem entender de forma muito diferente.

  3. Imitanciometria

    Avalia a mobilidade do tímpano e a pressão na orelha média. É o exame que separa perdas condutivas de neurossensoriais.

  4. Emissões otoacústicas e BERA

    Exames que investigam a cóclea e o nervo auditivo, solicitados conforme o caso e a suspeita clínica.

  5. Exames complementares

    Exames de sangue e de imagem quando a história aponta para causa específica.

Caminhos de tratamento

O que costuma funcionar

Tratamento clínico da causa

Remoção de cera, tratamento de otite e de disfunção tubária resolvem boa parte das perdas condutivas.

Encaminhamento cirúrgico quando indicado

Perfurações de tímpano e otosclerose podem ter correção cirúrgica, discutida caso a caso.

Aparelho de amplificação sonora

Para perdas neurossensoriais, o aparelho é o tratamento com melhor evidência. O resultado depende da indicação correta, da adaptação e do acompanhamento, e não apenas do equipamento.

Reabilitação e orientação familiar

Ouvir de novo exige readaptação. Orientar quem convive com o paciente é parte do tratamento e melhora muito o resultado.

Proteção do que ainda existe

Proteção auditiva, controle metabólico e revisão de medicações preservam a audição restante.

As informações deste site têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Cada caso precisa de avaliação individual. Nenhum tratamento aqui descrito garante resultado.

Para esclarecer

O que se ouve por aí, e o que é verdade

Aparelho auditivo vicia.

Não vicia. O que acontece é que, depois de voltar a ouvir bem, o silêncio anterior passa a incomodar, sinal de que o aparelho está funcionando.

Basta falar mais alto comigo.

Falar alto costuma distorcer. Falar de frente, com boa iluminação e em ritmo normal ajuda muito mais.

Só idoso tem perda auditiva.

Ruído ocupacional, fones de ouvido e otosclerose atingem adultos jovens com frequência.

Perda auditiva é só um incômodo.

Ouvir mal está associado a isolamento social e a piora da qualidade de vida. Tratar a audição é cuidar de bem mais do que o ouvido.

Vamos entender o que está acontecendo com você

Agende uma avaliação e traga sua história completa. É dela que sai o diagnóstico.

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