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Dra. Ana CarlaOtorrinolaringologista

Tontura, vertigem e desequilíbrio

Tontura tem nome, tem causa e, muitas vezes, tem solução rápida

Tontura é um termo amplo: pode ser a sensação de que tudo gira, de cabeça leve, de flutuar ou de insegurança ao andar. Cada uma dessas descrições aponta para um grupo diferente de causas, e é por isso que a consulta começa pedindo que você descreva exatamente o que sente.

Sinais

Você reconhece alguma destas situações?

Marcar mentalmente dois ou três itens desta lista já é motivo suficiente para uma avaliação.

  • Tudo gira por alguns segundos quando você deita, levanta ou vira na cama
  • Crises de vertigem intensa, com enjoo e vômito
  • Sensação de flutuar ou de andar sobre um colchão
  • Insegurança ao andar, principalmente no escuro ou em corredor de supermercado
  • Tontura junto com zumbido e sensação de ouvido cheio
  • Medo de sair de casa ou de dirigir por causa das crises

O que costuma estar por trás

Causas mais comuns

VPPB, a vertigem dos cristais

A causa mais comum de vertigem. Pequenos cristais do labirinto saem do lugar e provocam crises curtas, de segundos, sempre ligadas a mudanças de posição da cabeça. Tem tratamento em consultório, com manobras.

Doença de Ménière

Crises de vertigem que duram de vinte minutos a horas, acompanhadas de zumbido, sensação de pressão no ouvido e oscilação da audição. Exige diagnóstico cuidadoso e acompanhamento.

Neurite vestibular

Inflamação do nervo do equilíbrio, geralmente após um quadro viral. Provoca vertigem forte e contínua por dias, com recuperação gradual e boa resposta à reabilitação.

Migrânea vestibular

Enxaqueca que se manifesta como tontura, com ou sem dor de cabeça. É subdiagnosticada com frequência e responde bem quando tratada como enxaqueca.

Causas metabólicas e medicamentosas

Alterações de glicose, tireoide, pressão arterial, anemia e certos medicamentos afetam o equilíbrio. Por isso os exames de sangue fazem parte da investigação.

Tontura persistente e ansiedade

Depois de uma crise, o corpo pode manter um estado de alerta que sustenta a tontura mesmo sem doença ativa no labirinto. Tem nome, é reconhecida e tem tratamento próprio.

Atenção

Sinais que pedem pronto-socorro imediato

A maioria das tonturas tem origem no ouvido e não é grave. Mas alguns sinais sugerem causa neurológica e não podem esperar consulta agendada.

  • Fraqueza ou dormência de um lado do corpo
  • Fala arrastada ou dificuldade para encontrar palavras
  • Visão dupla ou perda visual
  • Dor de cabeça súbita e muito forte, diferente das habituais
  • Incapacidade de ficar em pé ou de andar
  • Perda auditiva súbita junto com a tontura

Na consulta

Como é feita a investigação

Nem todo paciente precisa de todos os exames. A escolha depende da sua história e do exame clínico.

  1. Quanto tempo dura a crise

    Segundos, minutos, horas ou dias. Essa única informação já separa a maior parte dos diagnósticos, e é a primeira pergunta da consulta.

  2. Manobras diagnósticas

    Testes de posicionamento, como a manobra de Dix-Hallpike, provocam e identificam a vertigem posicional no próprio consultório.

  3. Avaliação do nistagmo e do equilíbrio

    Observação dos movimentos dos olhos e testes de equilíbrio mostram como o sistema vestibular está respondendo.

  4. Audiometria e exames vestibulares

    A audição faz parte do mesmo sistema. Exames como videonistagmografia e vHIT podem ser solicitados conforme a suspeita.

  5. Exames laboratoriais e de imagem

    Solicitados de forma dirigida, para confirmar causas metabólicas ou afastar causas centrais quando há indicação.

Caminhos de tratamento

O que costuma funcionar

Manobras de reposicionamento

Para a vertigem de posicionamento, manobras como a de Epley reposicionam os cristais. Em muitos casos a melhora acontece já na primeira consulta.

Reabilitação vestibular

Exercícios específicos que treinam o cérebro a compensar a falha do labirinto. É o tratamento com melhor resultado em desequilíbrio persistente.

Medicação na dose e no tempo certos

Remédios para tontura ajudam na crise aguda, mas usados por tempo prolongado atrapalham a compensação natural do equilíbrio. Parte do tratamento é saber a hora de retirar.

Tratamento da doença de base

Controle da enxaqueca, ajuste metabólico, orientação alimentar na doença de Ménière e revisão de medicações em uso.

Cuidado com quedas

Em pacientes mais velhos, tontura é fator de risco para queda e fratura. Orientar a casa e a marcha faz parte da consulta.

As informações deste site têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Cada caso precisa de avaliação individual. Nenhum tratamento aqui descrito garante resultado.

Para esclarecer

O que se ouve por aí, e o que é verdade

Toda tontura é labirintite.

Labirintite é uma inflamação específica e relativamente incomum. A palavra virou apelido para qualquer tontura, e esse apelido esconde diagnósticos que têm tratamento próprio.

Tontura é falta de circulação no cérebro.

É uma explicação frequente e raramente correta. A grande maioria das tonturas vem do sistema vestibular, no ouvido interno.

Quem tem tontura precisa tomar remédio a vida toda.

Na maior parte dos casos, o objetivo é justamente retirar a medicação depois da fase aguda e tratar a causa.

Não adianta investigar, vai passar sozinho.

Algumas crises passam, e outras voltam por anos sem necessidade. A VPPB, por exemplo, costuma resolver com uma manobra de poucos minutos.

Vamos entender o que está acontecendo com você

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